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PISA 2029 e o Desafio da Equidade: Integrando Transformações Digitais e Éticas na Educação Pública

Por: Kelly Baptista


(imagem: reprodução Canva)


O futuro da educação pública no Brasil depende de sua capacidade de integrar as transformações digitais e éticas identificadas nas tendências globais. A fusão entre tecnologia e formação profissional exige uma reestruturação profunda, na qual a escola pública deve deixar de ser mera espectadora para assumir o protagonismo dessas mudanças. 


Como participante do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), o Brasil enfrentará, em 2029, o desafio de avaliar a Alfabetização em Mídia e Inteligência Artificial (MAIL). Essa nova área busca desenvolver competências cruciais para que estudantes possam se engajar de forma proativa e crítica em um mundo permeado por ferramentas digitais. 


Esse aspecto inovador do PISA reflete diretamente uma das maiores tendências da atualidade: a curadoria crítica na era da síntese. O verdadeiro poder deixou de residir na posse de informações e passou a estar na capacidade de usá-las de forma estratégica. Com o avanço acelerado da Inteligência Artificial generativa, a produção de conteúdos tornou-se mais acessível. 


Contudo, nem toda informação disponível online é confiável, podendo reforçar preconceitos e disseminar desinformação. Por isso, é essencial que a escola pública capacite tanto alunos quanto professores a filtrar, questionar e avaliar a credibilidade, a qualidade e os objetivos das informações acessadas em ambientes digitais. 


Formação Ágil, Ética e Inclusiva 

Os modelos tradicionais de formação de longo prazo estão sendo desafiados pelo conceito de empilhamento de habilidades. As carreiras estão se transformando em conjuntos modulares de competências, validadas por microcertificações. Diante disso, a educação pública no Brasil precisa flexibilizar seus currículos e implementar sistemas ágeis que reconheçam e validem essas habilidades específicas, acompanhando a velocidade das mudanças no mercado de trabalho. 


No entanto, a tecnologia não é neutra. Quando utilizada em larga escala, pode reproduzir e intensificar preconceitos sociais. Um movimento que valorize a criação de tecnologias culturalmente sensíveis, que compreendam nossas histórias, cores e contextos, é essencial no Brasil. A alfabetização em Inteligência Artificial, conforme propõe o PISA, requer o desenvolvimento de competências que permitam interações eficazes, éticas e responsáveis, garantindo que a IA funcione como uma ferramenta de equidade, ao invés de ampliar desigualdades. 


Diante da lentidão das transformações curriculares, muitas empresas estão se tornando verdadeiros ecossistemas corporativos de ensino, criando "universidades internas" para formar seus próprios profissionais. A educação pública deve responder a esse cenário com parcerias estratégicas e mecanismos que integrem a formação ao fluxo de trabalho contemporâneo. Assistentes de IA podem atuar como copilotos cognitivos, auxiliando professores e alunos em tempo real com conhecimento e insights aplicados durante a execução de projetos e tarefas. 


Tecnologia e o toque humano 

Em um cenário de alta tecnologia, o toque humano se destaca como um diferencial decisivo. Embora grande parte da educação massificada possa ser automatizada, o acesso a mentores reais, conversas profundas e interações presenciais continuará sendo insubstituível. O professor da escola pública deve ser preparado e valorizado como esse mentor, orientando os alunos tanto na curadoria crítica quanto na aplicação ética de ferramentas digitais.


Por outro lado, com a expectativa de vida aumentando, o futuro do trabalho se tornará cada vez mais intergeracional. Isso exigirá um ambiente de convivência e troca de saberes entre diferentes gerações. A educação pública deve ser o palco dessa sinergia, promovendo a colaboração, combatendo preconceitos etários e inovando de forma inclusiva para preparar o cidadão para a economia da longevidade. 


O verdadeiro desafio está em garantir que essa revolução tecnológica seja para todos. A questão não é se a educação pública mudará – as mudanças são inevitáveis. O ponto crucial é se ela será protagonista ou refém dessas transformações. O momento exige uma postura decidida e visionária, capaz de transformar desafios em oportunidades e construir um futuro com equidade, inovação e ética. 



 
 

Conteúdo Fundação 1Bi

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